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O ILUSTRE PESQUISADOR DESCONHECIDO
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Por Vanderlei D'Agostinho
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Felizmente nosso país é rico não apenas em casuística ufológica, mas também em número e qualidade de pesquisadores na área. Há inúmeros nacional e internacionalmente conhecidos e reconhecidos pela qualidade e seriedade de seus trabalhos. Listar aqui apenas alguns a título de exemplo seria uma injustiça com muitos outros. Há, também, pesquisadores extremamente competentes que estão aos poucos firmando seus nomes na comunidade. Ainda que sendo novos em idade ou não, têm mostrado um alto grau de discernimento e, certamente, enriquecido a discussão sobre assunto tão polêmico, pela sua própria natureza. Gostaria aqui, no entanto, de trazer à tona um assunto um tanto quanto delicado, talvez. Creio que no desenrolar do raciocínio, ficará claro o porquê dessa afirmação. Senão vejamos. Perguntem a vocês mesmos, que já estão enfronhados na pesquisa, quantos conhecidos seus, ou conhecidos de conhecidos, são interessados no assunto UFO e suas derivações. Já tiveram a oportunidade de analisar com calma as reações dessas pessoas, que acompanham de longe o assunto, quando se toca nele? Sendo uma das áreas de maior interesse de minha parte o aspecto psico-social do fenômeno, tenho feito essas análises desde o começo de minhas pesquisas. E, com o auxílio de profissionais da área de psicologia, tenho algumas observações que gostaria de compartilhar com os senhores. As reações são as mais diversas e seria interessante tentar entender o porquê delas. Por que tantas pessoas são interessadas profundamente no assunto e não se aprofundam? Vejamos apenas algumas possíveis respostas à essa pergunta. Não podemos negar que há em nosso país determinadas situações sócio-econômicas que, muitas vezes, impedem que o potencial pesquisador continue em seu caminho. Nem sempre é fácil separar parte do orçamento pessoal para a aquisição de livros, revistas especializadas, presença em eventos, compra de equipamento para acesso à internet, material de apoio para pesquisa de campo, etc. Como normalmente é através desses meios que o pesquisador inicia sua jornada, fica ele limitado às parcas e difusas informações passadas pelos meios de comunicação de massa. E todos nós sabemos o quanto essas fontes mais atrapalham que ajudam na maioria das vezes, em termos de informação. Resultado: o desânimo toma conta de nosso ilustre desconhecido, e desconhecido e mal informado permanece. Uma perda para a ufologia. Entrando num terreno mais delicado, podemos citar aqui aqueles que não se aprofundam nas pesquisas por medo. Sim, medo. Mas medo de que? Seria a ufologia e as possibilidades que ela traz em seu bojo um perigo para certos dogmas tão enraizados em nossa cultura que faria alguém sentir faltar-lhe o chão ao começar a se aprofundar nas pesquisas? Estaria pensando esse iniciante nas pesquisas que seria melhor "deixar como está para ver como fica", tendo , no fundo, um terrível medo de se aventurar pelo ainda desconhecido? E, se tiver esse medo, seria responsabilidade dele? Em qualquer caso, mais uma perda para a ufologia. Averigüei, também, um medo de origem externa. Há casos de pessoas que seriam ótimos pesquisadores, mas que pararam pelo caminho, ou sequer começaram de forma mais incisiva, devido a, digamos, um trauma vivido por terceiros que se refletiram em sua própria mente. Explico. Inúmeras pessoas tiveram e/ou têm contato com amigos, conhecidos ou parentes que perderam a noção do real ao serem vítimas de pseudo-ufólogos ou falso gurus, transformando-os em verdadeiros mortos-vivos, perambulando sem rumo, bens e até mesmo família. Ao verem o resultado dessa falsa ufologia, nossos ilustres desconhecidos tomam como verdade a afirmação de que ufologia é "coisa para lunáticos". Lá vai mais uma perda para a ufologia. Por último, nesse resumo, gostaria de trazer para reflexão um ponto que toca todos nós que pesquisamos o fenômeno. Tenho observado nos eventos que assisto ou promovo que uma boa parte das pessoas presentes são neófitos, sedentos de informação e, mais que isso, sedentos de um canal por onde possam transmitir ou trocar informações com pessoas mais experientes no assunto ufologia. Quantos de nós pesquisadores não perdeu a chance de fazer nascer um grande pesquisador pelo fato de nem sempre estarmos dispostos a pôr a cara para bater, como se diz no jargão popular? Posso dizer isso por experiência própria, visto que cada vez que menciono a outras pessoas que pesquiso o assunto há duas reações distintas : "mais um lunático" ou "finalmente encontrei alguém com quem falar sobre isso". Ao mesmo tempo que não devemos nos deixar abater pela primeira reação mencionada, devemos prestar atenção ao que aqueles da segunda reação têm a dizer. Estejam certos que ouvirão coisas extremamente interessantes. Obviamente não precisamos sair gritando na rua, procurando novos potenciais pesquisadores. Mas toda vez que deixarmos passar uma oportunidade de fazer "propaganda" da ufologia séria, certamente estaremos contribuindo para o empobrecimento da mesma. E, mais uma vez, perde a ufologia. Senhores, é claro que não foi minha intenção aqui esgotar o assunto. Pelo contrário, creio que até mais dúvidas podem surgir com minhas colocações devido ao espaço naturalmente limitado. Gostaria, porém, de deixar esses pontos para reflexão e me colocar à disposição para a troca de idéias sobre o ponto focal do estudo dos extra-terrestres : os terrestres !
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Texto de Vanderlei D'Agostinho - vandagos@ajato.com.br
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Instituto Nacional de Pesquisas Ufológicas |