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EVENTOS ANTERIORES AO BIG BANG CONTINUAM UM MISTÉRIO
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Por Dennis Overbye |
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O que fazia Deus antes da criação do
mundo? O filósofo e escritor ( e, mais tarde, santo) Agostinho levantou
essa questão nas suas "Confissões", no século quatro, e
encontrou uma resposta surpreendentemente moderna: antes de Deus ter
criado o mundo não havia tempo e, portanto, nenhum "antes".
Parafraseando Gertrude Stein, não havia "então". Até recentemente ninguém seria capaz
de, ao assistir a uma palestra sobre astronomia, formular a versão
moderna da questão de Agostinho - o que aconteceu antes do Big Bang? -,
sem receber a mesma resposta frustrante, uma cortesia da teoria da
relatividade geral de Albert Einstein, que descreve como a matéria e a
energia distorcem o espaço e o tempo. Se imaginarmos que o universo está
encolhendo de volta no tempo, como se fosse um filme rodado ao contrário,
a densidade da matéria e da energia aumentaria até o infinito conforme
nos aproximássemos do momento da sua origem. Os computadores soltariam
fumaça e o espaço e o tempo se dissolveriam em uma "espuma quântica".
"Os nossos relógios e réguas se quebrariam", explica Andrei
Linde, cosmologista da Universidade de Stanford. "Perguntar o que
havia antes desse momento seria uma contradição". Mais tarde, porém, encorajado pelo
progresso feito em novas teorias que procuram unificar o reino altaneiro
de Einstein com as imprevisíveis leis quânticas que governam a física
subatômica - a chamada gravidade quântica - Linde e os seus colegas
começaram a refinar as suas especulações, chegando cada vez mais
perto do momento da criação e, em certos casos, indo além dele. Alguns teóricos sugerem que o Big Bang não
foi exatamente um nascimento, mas sim uma transição, um "salto quântico"
a partir de uma era informe de tempo imaginário. Ou mesmo que esse
salto se deu a partir do nada. Outros cientistas estão investigando
modelos nos quais a história cósmica começa a partir de uma colisão
com um universo de outra dimensão. Toda essa especulação teórica ganhou fôlego
devido a notícias recentes sobre a ocorrência de ondas em uma difusa
radiação existente no espaço, que se acredita que sejam remanescentes
da bola de fogo primordial do Big Bang. Essas ondas são consistentes
com uma teoria popular, conhecida como inflação cósmica, segundo a
qual o universo sofreu uma aceleração súbita da sua expansão sob a
influência de uma violenta força antigravitacional, quando tinha a
idade de apenas frações de frações de um nanosegundo. Essas ondas
fornecem, portanto, uma baliza útil para a imaginação dos teóricos.
Segundo os cosmologistas, qualquer teoria sobre as origens cósmicas que
não explique esse fenômeno tem poucas chances de ser correta. Felizmente (ou infelizmente), isso ainda
deixa espaço para várias outras possibilidades. "Se a inflação foi a dinamite que
causou o Big Bang, ainda estamos procurando pelo palito de fósforo",
diz Michael Turner, cosmologista da Universidade de Chicago. O único
ponto com que todos os especialistas concordam é com o fato de que
nenhuma idéia relativa à origem do Big Bang funcionou - pelo menos até
o momento.Turner compara os cosmologistas a músicos de jazz coletando
temas que parecem soar bem para um trabalho em andamento: "Você
ouve algo e diz, 'Ah, sim, quero que isso faça parte do trabalho
final'". Uma resposta para aqueles que perguntam o
que ocorreu antes do Big Bang é a afirmação de que isso não importa,
já que trata-se de algo que não afeta o estado atual do universo. De
acordo com a teoria conhecida como "inflação eterna", lançada
por Linde em 1986, aquilo que sabemos sobre o Big Bang é apenas uma
parte, dentre várias, que formam uma reação em cadeia de big bangs,
por meio da qual o universo se reproduz e se reinventa eternamente.
"Qualquer ponto particular do universo pode morrer, e provavelmente
morrerá, mas o universo, tomado como um todo, é imortal", afirma
Linde. A teoria de Linde é uma modificação da
teoria da inflação proposta em 1980 pelo físico Alan Guth. Ele
considerou o que aconteceria se, quando o universo estivesse esfriando
durante os seus primeiros momentos, marcados por um calor violento, um
campo de energia, conhecido como Campo de Higgs, que interage com as
partículas para lhes conferir massa, fosse, de alguma forma, incapaz de
liberar a sua energia por um breve momento. O físico concluiu que o espaço seria
tomado por uma espécie de energia latente que empurraria o universo
violentamente para todas as direções, dilacerando-o. Em um espaço de
tempo infinitesimal, o universo dobraria de tamanho por cerca de
sessenta vezes, até que o Campo de Higgs liberasse a sua energia e
preenchesse o universo super-acelerado com partículas quentes. A partir
daí começaria a história do Cosmo. Os cosmologistas apreciam a teoria da
inflação porque tal aceleração teria suavizado qualquer
irregularidade gritante proveniente do cosmo primordial, deixando-o
homogêneo e geometricamente achatado. Além do mais, a inflação teria
permitido que o cosmo se expandisse a partir de uma quase nulidade, o
que fez com que Guth apelidasse o universo de "a maior das bocas
livres". Cálculos subseqüentes descartaram o
Campo de Higgs como agente causador da inflação, mas existem outros
candidatos que causariam o mesmo efeito. E o mais importante é que, de
uma perspectiva "pré-Big Bang", uma bolha inflacionária
poderia ter criado outra, que por sua vez formaria uma outra. Na
verdade, cada bolha seria um novo big bang, um novo universo com
diferentes características e talvez até mesmo com diferentes dimensões.
O nosso universo seria meramente um dentre vários. "Caso se inicie, esse processo pode
prosseguir para sempre", explica Linde. "Ele pode ocorrer
neste momento, em alguma parte do universo". O maior dos universos concebidos pela
inflação eterna é tão inimaginavelmente grande, caótico e variado
que a questão da sua origem se torna quase que irrelevante. Para cosmólogos
como Guth e Linde, é isso exatamente que a teoria possui de mais
atraente. "A inflação caótica nos permite
explicar o nosso mundo sem ter que assumir por exemplo que houve uma
criação simultânea de todo o universo a partir do nada", afirma
Linde. A despeito disso, a maior parte dos
cosmologistas, incluindo Guth e Linde, concorda com a idéia de que o
universo tenha se originado de algo, e que o nada não é o candidato
principal para ser o ponto de partida do cosmo. Como resultado, uma outra proposta
popular entre os cosmologistas é a da teoria quântica. Segundo o princípio
da incerteza de Heisenberg, um dos pilares desse mundo paradoxal, o espaço
vazio nunca pode ser considerado como sendo realmente vazio. Partículas
subatômicas são capazes de surgir e desaparecer a partir de campos
energéticos. Por mais estranha que essa idéia possa parecer, os
efeitos dessas flutuações quânticas foram observados em átomos. E
flutuações similares ocorridas durante a inflação devem ter
produzido as sementes em torno das quais as galáxias de hoje se
formaram. Poderia o universo, da mesma forma, ser o
resultado de uma flutuação quântica ocorrida em alguma forma de
"nada" primordial ou eterno? Talvez, como sugere Turner,
"O nada seja instável". Os problemas filosóficos que afligem a
mecânica quântica comum são amplificados pela chamada cosmologia quântica.
Por exemplo, Linde aponta o problema do ovo e da galinha. O que surgiu
primeiro: o universo ou a lei que o governa? Ou, conforme ele coloca a
questão, "Se não havia uma lei, como foi que o universo
surgiu?". Uma das primeiras tentativas para se
imaginar o nada como a fonte de tudo ocorreu em 1965, quando John
Wheeler e Bryce De Witt, que hoje trabalham na Universidade do Texas,
escreveram uma equação que combinava a teoria da relatividade geral e
a teoria quântica. Desde então, os cientistas teóricos têm discutido
incessantemente essa equação. A equação Wheeler-De Witt parece se
referir àquilo que os físicos costumam chamar de "super-espaço",
uma espécie de agrupamento matemático de todos os universos possíveis.
Aqueles que existem por apenas cinco minutos, antes de entrarem em
colapso, formando buracos negros; os que são repletos de estrelas
vermelhas, e que existem por toda a eternidade; aqueles cheios de vida;
os que são completamente desertos; e aqueles nos quais as constantes físicas
e talvez até o número de dimensões sejam diferentes daqueles do nosso
universo. Segundo a mecânica quântica comum, um
elétron pode ser imaginado como estando distribuído por todo o espaço,
até o momento em que é mensurado e observado, quando fica determinada
a sua localização específica. Da mesma forma, o nosso universo também
se distribuiria por todo o super-espaço, até que, de alguma forma,
pudesse ser observado um sistema de qualidades e de leis. Isso dá
margem a mais uma das grandes questões. Já que ninguém pode sair do
universo, quem o estaria observando? Wheeler sugere que uma resposta para essa
questão seria afirmar que os observadores seríamos nós mesmos, agindo
por meio de uma observação mecânica-quântica. Ele denomina esse
processo de "gênese pela observação". "O passado é teoria", escreveu
o cientista. "Ele não possui existência, exceto nos registros do
presente. Nós somos participantes, no nível microscópico, da confecção
do passado, bem como do presente e do futuro". De fato, a resposta
de Wheeler para Santo Agostinho é que nós, coletivamente, somos Deus,
e estamos incessantemente criando o universo. Uma outra opção, que possui muitos
adeptos entre os cosmologistas, é a chamada "interpretação dos vários
mundos", que afirma que todos esses possíveis universos realmente
existem. Por acaso nós estaríamos vivendo em um universo cujos
atributos seriam favoráveis à nossa existência. Mas um outro mistério embutido na equação
Wheeler-De Witt é o fato de ela não fazer menção ao tempo. No
super-espaço, tudo ocorre uma vez e definitivamente, o que leva alguns
físicos a questionar o papel do tempo nas leis fundamentais da
natureza. No seu livro, "The End of Time" (O Fim do Tempo),
cuja publicação foi feita de forma a coincidir com a passagem do milênio,
Julian Barbour, um físico independente que foi aluno de Einstein na
Inglaterra, argumenta que o universo consiste de uma pilha de momentos,
como cartas de um baralho, que podem ser embaralhados e reembaralhados
de forma arbitrária, de forma a fornecer a ilusão de que existe tempo
e história. O Big Bang seria apenas uma outra carta
no baralho, juntamente com todos os outros momentos. Um passado eterno
do universo. "A imortalidade está aqui", escreve ele no
livro. "A nossa tarefa é reconhece-la". Carlo Rovelli, um teórico especializado
em gravidade quântica, da Universidade de Pittsburgh, afirma que a equação
Wheeler-De Witt também não menciona o espaço, sugerindo que, tanto o
espaço quanto o tempo podem ser os artefatos de algo mais profundo.
"Se levarmos a sério a teoria da relatividade", diz ele,
"temos que aprender a fazer a abordagem da física sem espaço e
sem tempo, na teoria fundamental". Embora admitindo que não são capazes de
responder a essas questões filosóficas, alguns teóricos se
comprometeram a tentar imaginar a criação quântica com um rigor matemático.
Alexander Vilenkin, físico da
Universidade Tufts, em Somerville, Massachusetts, comparou o universo a
uma panela de água fervente. Assim como acontece na água, somente
bolhas de um determinado tamanho perduram e se expandem. As menores
desaparecem. Assim, ao ser criado, o universo tem que saltar de um
estado onde não há dimensão - um espaço de raio zero, "sem espaço
e tempo" - para um outro onde o raio seja suficiente para que a
inflação controle os acontecimentos, sem no entanto passar por estágios
intermediários de tamanho. Um processo mecânico quântico conhecido
como "tunneling". Stephen Hawking, o cosmologista da
Universidade de Cambridge e autor de best-sellers, descartaria
completamente a teoria do salto quântico. Nos últimos vinte anos, ele
e os seus colaboradores têm trabalhado no que Hawking chama de
"proposta sem limites". "O limite do universo é o fato
de ele não ter limites", gosta de dizer o cosmologista. Uma das chaves para a abordagem de
Hawking é a substituição do tempo, nas suas equações, por um
conceito matemático chamado de tempo imaginário. Essa técnica é
normalmente utilizada nos cálculos relativos aos buracos negros e em
certos campos da física de partículas, mas a sua aplicação à
cosmologia é controversa. O universo, até o momento da sua origem,
é representado por um objeto matemático de forma cônica, conhecido
como "instanton", que possui quatro dimensões espaciais (com
o formato aproximado de uma esfera amassada) ao final do Big Bang e que,
a seguir, passa a existir no tempo real e começa a se inflacionar.
"Na verdade, ele sofre uma espécie de explosão, formando um
universo infinito", diz Neil Turok, que também trabalha na
Universidade de Cambridge. "Todos os eventos do futuro estão
determinados. Tudo está implícito no instanton". Infelizmente, o significado físico do
tempo imaginário não é claro. Além disso, essa abordagem termina por
levar a um universo que é muito menos denso do que o real. Mas qualquer progresso real em se
discernir os detalhes do salto da eternidade para o tempo, segundo os
cosmologistas, terá que esperar pela formulação de uma teoria
unificada da gravidade quântica que obtenha êxito em conjugar a
relatividade geral einsteiniana com a mecânica quântica. Duas visões
do mundo, uma descrevendo o espaço-tempo, curvo e contínuo, e a outra
um mundo descontínuo e aleatório. Essas duas escolas travam uma guerra
matemática e filosófica há quase um século. Tal teoria seria capaz
de lidar com o universo durante a fúria do Big Bang, quando até mesmo
o espaço e o tempo teriam que se submeter ao princípio da incerteza,
tornando-se aleatórios e descontínuos. Nos últimos anos, vários físicos tem
depositado as suas esperanças com relação à gravidade quântica na
teoria das cordas, um esforço matemático em andamento que se constitui
em um verdadeiro labirinto de idéias, tentando representar a natureza
como sendo formada de pequenas cordas onduladas ou membranas vibrando em
10 ou 11 dimensões. A princípio, a teoria das cordas poderia
explicar todas as forças conhecidas (e desconhecidas) da natureza. Na
prática, os adeptos da teoria das cordas admitem que até mesmo as suas
equações são apenas aproximações. Os físicos que não são
especialistas dessa área reclamam de que os efeitos da "física
das cordas" ocorreriam em níveis de energia tão elevados que não
há a menor esperanças de que se possa testa-los nos aceleradores de
partículas atuais. Portanto, os teóricos estão se aventurando pelos
campos da cosmologia, em parte porque esperam descobrir algum efeito
observável. O Big Bang é um alvo óbvio. Um mundo
feito de pequenas voltas possui um tamanho mínimo. Ele não pode
encolher de forma a ficar menor do que as voltas das cordas. Essa idéia
foi proposta por Robert Brandenberger, em 1989. Segundo o cientista da
Brown University, ao se usar equações de cordas para imaginar o espaço
encolhendo e ficando menor do que determinada dimensão, o universo se
comportaria como se estivesse aumentando de tamanho. "É como se
ele estivesse saltitando, após um período de colapso". Segundo essa visão, o Big Bang estaria
mais para uma transformação, como o gelo que se derrete, formando a água,
do que para um nascimento. Linde afirma que "essa é uma idéia
interessante, que deve ser explorada". "Talvez houvesse espécies
diferentes de espaço e de tempo antes do Big Bang. Talvez o universo
seja eterno", diz Linde. "Talvez ele apenas mude de fase. Será
que ele é formado do Nada? Ou seria uma transição de fase? Essas
perguntas se aproximam muito das questões religiosas". O trabalho do Brandenberger e Vafa também
explica porque vemos apenas três das nove ou dez dimensões espaciais
existentes, segundo a teoria das cordas. No início dos tempos as cordas
poderiam se enrolar em volta do espaço e estrangular a maior parte das
dimensões espaciais, impedindo-as de crescer. Nos últimos anos, os estudiosos da
teoria das cordas ficaram eufóricos devido à descoberta de que a
teoria admite a existência de membranas de várias dimensões. Além do
mais eles começaram a explorar a possibilidade de que pelo menos uma
dessas dimensões extras exista em uma escala de pelo menos um milímetro,
o que é uma enormidade em se tratando de física de cordas. Nessa nova
cosmologia, o nosso mundo seria uma ilha tridimensional, ou uma membrana
flutuando em um espaço de cinco dimensões, como se fosse uma folha de
árvore boiando em um tanque de peixes. Outras membranas poderiam estar
flutuando ao lado. Partículas como quarks e elétrons e forças como o
eletromagnetismo estariam aprisionadas na membrana, mas a gravidade não.
Portanto, esses mundos-membranas exerceriam atração gravitacional uns
sobre os outros. "A uma fração de milímetro de nós
está um outro universo", diz Linde. "Ele pode estar lá. Isso
pode ser o fator determinante do universo em que vivemos". Esse outro universo poderia ocasionar,
ele próprio, a criação, segundo várias teorias recentes. Uma delas,
chamada de "Branefall", foi desenvolvida em 1998 por Georgi
Dvali, da Universidade de Nova York, e por Henry Tye, de Cornell. Nessa
teoria, o universo emerge do seu estado quanticamente informe como um
emaranhado de cordas e membranas frias e vazias. Se, no entanto, existir
uma lacuna entre as membranas em algum ponto, elas começam a despencar
em conjunto. Segundo Dvali, cada membrana
experimentaria o envolvente campo gravitacional das outras membranas
como se fosse um campo energético do seu próprio espaço
tridimensional e começaria a se inflacionar rapidamente, dobrando de
tamanho por mais de mil vezes durante o período decorrido para que as
membranas caíssem em conjunto. "Se houvesse pelo menos uma região
na qual as membranas fossem paralelas, essas regiões iniciariam um
enorme processo de expansão, enquanto que outras regiões iriam
encolher e entrar em colapso", afirma Dvali. Quando as membranas finalmente
colidissem, a sua energia seria liberada e o universo se aqueceria,
enchendo-se de matéria e de calor, como ocorre com o Big Bang
tradicional. Nesta primavera, quatro físicos
propuseram um tipo diferente de choque de membranas que, segundo eles,
poderia eliminar a necessidade da inflação, a peça fundamental da
teoria do Big Bang, há 20 anos. Paul Steinhardt, um dos pais da teoria
da inflação, e o seu aluno, Justin Khoury, ambos de Princeton, Burt
Ovrut, da Universidade da Pensilvânia e Turok, chamam isso de
"universo ekpyrótico", um termo derivado da palavra grega
"ekpyrosis", que denota a morte violenta e o renascimento do
mundo, segundo a filosofia estóica. O processo ekpirótico teria começado
nas profundezas de um passado indefinido, com um par de membranas
achatadas e vazias, paralelas, e localizadas em um espaço destorcido
pentadimensional. Uma situação que, segundo eles, representa a solução
mais simples para as equações de Einstein em uma versão avançada da
teoria das cordas. Os autores acham que o fato de não terem assumido
nenhum efeito extra, que já não exista na teoria, é um ponto que
conta a seu favor. "Portanto, estamos propondo um modelo
potencialmente realista de cosmologia", escreveram eles em um
trabalho. As duas membranas, que formam paredes da
quinta dimensão, poderiam surgir do nada, como uma flutuação quântica
em um passado ainda mais distante, e depois se separarem. Em determinado momento, talvez quando as
membranas tivessem atingido uma distância crítica, uma terceira
membrana poderia ter se destacado de outra e começado a cair em direção
à nossa. Durante a sua longa jornada, as flutuações quânticas
causariam ondulações na superfície da membrana, e essas ondas
imprimiriam as sementes das futuras galáxias por toda a nossa membrana
no momento da colisão. Steinhardt expôs essa teoria em uma conferência
astronômica em Baltimore, em abril. Nas semanas subseqüentes o universo
ekpyrótico foi bastante discutido. Alguns cosmologistas, especialmente
Linde, argumentaram que ao exigir membranas perfeitamente achatadas e
paralelas, o universo ekpyrótico requer uma calibragem excessiva. Em uma crítica, Linde e os seus colegas
sugeriram uma modificação que chamaram de "universo pirotécnico".
Steinhardt admite que o modelo ekpirótico
começou a partir de uma condição muito específica, porém lógica. O
importante, segundo ele, foi verificar se o universo poderia ter surgido
a partir de um estado muito antigo e quase estável, "extremamente
diferente do modelo inflacionário". A resposta foi positiva. O seu
colaborador, Turok, afirmou, além disso, que a inflação também
requer uma calibragem para que possa ter produzido o universo moderno, e
os físicos ainda não sabem qual foi o campo que realmente o criou. "Até que tenhamos solucionado o
problema da gravidade quântica e conectado a teoria das cordas com a física
de partículas, nenhum de nós poderá cantar vitória", afirma
Turok. Enquanto isso, Santo Agostinho dorme em
paz.
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Instituto Nacional de Pesquisas Ufológicas |