CINQÜENTA  E  QUATRO  ANOS  DE  UFOLOGIA

 

Por  Claudeir  Covo

 

                        Provavelmente, o fenômeno ufológico é mais antigo que a própria humanidade. Pegadas de botas petrificadas já foram encontradas em diversas partes dos planetas e muitas delas tem a data muita mais antiga que o surgimento do primeiro hominídeo na superfície do nosso planeta. Em todas as épocas, encontramos registros das várias civilizações, onde normalmente há referências de seres que vieram das estrelas. Utilizavam veículos que eram denominados das mais diversas formas, tais como, rodas de fogo, escudos voadores, rodas voadoras, rodas celestes, escudos celestes, vimanas, etc... Somente no meio do século passado é que o fenômeno ufológico passou a ter uma visão mais científica. Durante a Segunda Grande Guerra, os aviões combatentes eram seguidos por estranhas luzes. Foram batizadas na gíria inglesa de foo-fighters (lutador fantasma ou lutador brincalhão). Uns acreditavam que eram armas secretas de Hitler e outros que eram armas secretas dos norte-americanos. Logo após o final da guerra, perceberam que as dúvidas eram comuns de ambos os lados. Assim, os Estados Unidos tomaram a dianteira e fundaram alguns projetos militares secretos para estudarem o fenômeno ufológico. Inicialmente o Signal (Sinal), depois o Grudge (Rancor) e em seguida o Blue Book (Livro Azul), o mais conhecido do público.

                        Em 1943, os Estados Unidos iniciaram as mais diversas experiências no Estado de Novo México, ao Sul dos Estados Unidos. Explodiram diversas pequenas bombas atômicas, principalmente na região de Lins e Albuquerque. Mesmo após o término da guerra, eles continuaram com tais experiências. Nesse período todo, constantemente, eram vistos os discos voadores sobrevoando o local. É muito provável que estavam observando as loucuras que os seres humanos estavam fazendo. Um dos avistamentos que marcou a história foi quando o piloto civil Kenneth Arnold, em 24.06.47, sobrevoando o estado de Washington, observou nove objetos de forma discóide, a uma velocidade acima de qualquer aeronave da época. Ao retornar ao aeroporto, Kenneth reuniu vários jornalistas e pela primeira vez foi usado o termo "flying saucers" (pires voadores). Aí teve o início da Era Moderna dos Discos Voadores. Começou-se a estudar esse fenômeno cientificamente. Ufólogos do mundo inteiro adotaram a data de 24 de junho como sendo o dia mundial dos discos voadores. Alguns dias depois do avistamento de Kenneth, acontece um outro fato marcante na Ufologia mundial. Caiu um disco voador em Roswell, em 02.07.47, também ao Sul dos Estados Unidos. O major Jesse Marcel conclui que era um veículo de origem extraterrestre. A base militar de Roswell divulga uma nota sobre o assunto, a qual foi publicada no Diário de Roswell em 08.07.47. No dia seguinte tudo é desmentido e inicia-se o maior acobertamento militar sobre o assunto, o qual dura até os dias de hoje, sendo também adotado pelos outros países.

                        No final dos anos 40 e início dos anos 50, o assunto disco voador foi comentado com mais freqüência, bem como houve muitas publicações à respeito. O cinema também trouxe às telas diversas produções sobre o tema. Aqui no Brasil também o assunto era bem comentado. Apareceram os primeiros Ufólogos, muitos ainda vivos e na ativa, tais como Irene Granchi, Augusto Flávio Pereira, Fernando Cleto Nunes Pereira, Húlvio Abrantes Aleixos, Rubens Junqueira Vilela, Rafael Sempere Durá, José Victor Soares, Reginaldo de Athayde, etc..., e outros já falecidos, tais como o general Uchoa, Walter Bülher, Olavo Fontes, Guilherme Wirtz e muitos outros grandes nomes da Ufologia Nacional não menos importantes. O primeiro caso marcante no Brasil ficou conhecido como o Caso da Barra da Tijuca, onde o fotógrafo Ed Kefell, juntamente com o jornalista João Martins, ambos da extinta revista O Cruzeiro, realizaram cinco fotos de um objeto de forma discóide na praia da Barra da Tijuca. Posteriormente, a entidade norte-americana GSW (Ground Saucer Watch), então dirigida por William H. Spaulding, através de análises computadorizadas, descobriu que as fotos eram tão somente um modelo de 40 centímetros de diâmetro. Independente das fotos serem autênticas ou não, esse caso teve uma grande importância pelo fato de ter sido pesquisado pela Aeronáutica Brasileira, o que culminou com a famosa reunião das Forças Armadas na Escola Superior de Guerra, em 02.11.54, no Rio de Janeiro, fato este que foi uma grande exceção à regra do acobertamento militar. Essa histórica reunião, aberta à Imprensa, foi comandada pelo coronel aviador João Adil Oliveira, chefe do Serviço de Informações do Estado Maior da Aeronáutica. Na oportunidade, as mais altas patentes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha, estavam ali reunidas, onde o assunto disco voador foi tratado com a maior naturalidade. Vários pilotos militares e civis relataram as suas experiências com o fenômeno. Já naquela época a Aeronáutica se preocupava com o assunto, dizendo que o fenômeno é sério e merece ser tratado com seriedade.

                        Quatro anos depois, mais precisamente em 16.01.58, o fotógrafo Almiro Baraúna, próximo à ilha de Trindade, no Espírito Santo, à bordo do navio Almirante Saldanha, fez quatro fotos também de um objeto discóide. Tais fotos foram autenticadas pela Marinha Brasileira e teve o aval do falecido presidente Juscelino Kubitschek. Através de análises computadorizadas, a GSW autenticou tais fotos, informando que era um objeto de grandes dimensões e que estava distante da câmara fotográfica.

                        Durante as décadas de 50 e 60, o projeto Blue Book, que sabemos hoje, foi uma grande farsa militar norte-americana, investigava todas as ocorrências ufológicas em território norte-americano e países vizinhos. Mantinham até agentes, todos vestidos de preto, conhecidos como os MIBs (Men In Black), ou homens de preto, os quais ameaçavam as testemunhas de UFOs. Foi a fase mais negra da Ufologia mundial. Várias dezenas de pessoas, as quais pesquisavam o assunto, tiveram mortes estranhas. Só sobre o caso Roswell, pelo menos quinze pessoas foram literalmente "assassinadas".

                        Já na década de 70, os Estados Unidos adotaram a postura de ridicularizar as testemunhas, e o assunto disco voador passou a ser manchetes somente de jornais e revistas sensacionalistas. A maioria dos países seguiu a mesma postura, inclusive o Brasil. Aqui, em plena ditadura, tivemos uma outra grande exceção, quando a Aeronáutica passou a pesquisar o fenômeno UFO, no período de 1969 a 1972, inclusive com a participação de alguns civis, como o conhecido professor Augusto Flávio Pereira e o falecido professor Guilherme Wirtz. Essa operação ficou conhecida como SIOANI - Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados, e foi centralizada na IV Zona Aérea (atual IV COMAR - Comando Aéreo Regional), sediado em São Paulo. Todo esse trabalho ficou nas mãos do já falecido tenente brigadeiro José Vaz da Silva. Em sete meses foram implantados mais de quarenta núcleos de investigação por todo o país.

                        Se foi brilhante a atuação dos vários SIOANIs, assustador foi a atuação do falecido Aladino Félix, o qual escreveu vários livros sobre discos voadores com o pseudônimo de Sábado Dinotos. No início de 68, juntamente com mais vinte adeptos, explodiram várias bombas na cidade de São Paulo, matando e mutilando muitas pessoas. Isso fez com que o antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) investigasse a vida de vários ufólogos conhecidos na época.

                        Outra operação importante foi a Operação Prato, ocorrida entre setembro e dezembro de 1977, na ilha de Colares, na bacia de Marajó, no Pará. Sob o comando do capitão Uyrangê Bolivar Soares Nogueira de Hollanda Lima, chefe do serviço de informações do I COMAR, oportunidade onde a equipe da Aeronáutica registrou em quatro filmes e centenas de fotos a presença de diversos discos voadores nos céus da região.

                        Em 1979, os Ufólogos e a Imprensa já tinham conseguido milhares e milhares de informações sobre a presença dos discos voadores no planeta Terra. Eram inquestionável os inúmeros relatos. Várias autoridades já haviam falado à respeito. Em uma tentativa em vão, pela primeira vez o assunto foi levado à ONU (Organização das Nações Unidas). Lamentavelmente, o assunto acabou em "pizza". Não é necessário dizer que os Estados Unidos e a Rússia fizeram a maior pressão para suspender as reuniões na ONU sobre tal assunto.

                        Outro fato importante ocorrido na Ufologia Nacional foi a Noite Oficial dos Ovnis, em 19.05.86, onde os radares brasileiros registraram 21 Ovnis nos céus do Brasil, com a maior concentração sobre São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo. Os ufólogos custaram a acreditar quando viram o então Ministro da Aeronáutica, o brigadeiro do ar Otávio Moreira Lima falando abertamente à Imprensa sobre a presença de tais Ovnis em nossos céus. Seis caças foram acionados, três F5 da base aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e três Mirages da base aérea de Anápolis, em Goiás. Tudo foi filmado e muito bem documentado. Os pilotos, os operadores de radares e outros oficiais da Aeronáutica deram diversos depoimentos à Imprensa. Um fato histórico.

                         Em 1993, o destaque ficou por conta da Bélgica, quando a Aeronáutica daquele país perseguiu um Ovni com um caça e documentou tudo em seu radar. Isso não seria nenhuma novidade, pois é rotina das Forças Aéreas de todos os países, se não fosse o fato da Aeronáutica Belga ter liberado à Imprensa o filme registrado pelo radar. Em um certo instante, o Ovni acelera a 40 G (40 vezes a aceleração terrestre). Qualquer ser humano morreria em tal aceleração.

                        Em 1996, mais precisamente em 20 de janeiro, o Exército brasileiro, juntamente com o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar (PM) capturam quatro estranhas criaturas em Varginha, as quais foram encaminhadas à Unicamp (Universidade de Campinas), no interior do Estado de São Paulo. As várias testemunhas, inclusive militares, relataram a queda de uma nave, o recolhimento dos destroços dessa nave, as capturas das estranhas criaturas, o modo que mantiveram tais criaturas dentro dos hospitais, o transporte para Campinas, a estranha morte do soldado P2 (Serviço de Inteligência) da PM Marco Eli Chereze e milhares de outros detalhes. Apesar das autoridades militares e civis envolvidas negarem tudo, este caso ainda está em plena investigação. Os ufólogos que cuidam do caso, encabeçado pelo brilhante advogado Ubirajara Franco Rodrigues, acreditam que descobriram apenas uma parte dos reais fatos que ocorreram em Varginha.

                        Em 1997, durante o primeiro aniversário do Caso Varginha, no Instituto Ubirajara Rodrigues, sediado em Varginha, oportunidade onde a Imprensa foi reunida, além de novos detalhes sobre o caso, foi apresentado também o documento confidencial da Aeronáutica NPA-09-C (Norma de Procedimento Aeronáutico), em vigor no Brasil. Tal documento é fornecido aos controladores de vôo e operadores de radares. Ele detalha sobre o procedimento a ser adotado aos órgãos ATS/ATC (Air Traffic System/Air Traffic Control) em caso de avistamento de objetos aéreos não identificados. Quando alguém relato um avistamento Ovni, há um questionário a ser preenchido. Todas essas informações vão para o CONDABRA (Comando Nacional de Defesa Aeroespacial Brasileira), sediado em Brasília.

                        Assim, 54 anos depois que iniciou a Era Moderna dos Discos Voadores, entramos em um novo século e um novo milênio, sem muitas respostas. Das milhares de perguntas, a principal foi respondida. Sim, discos voadores existem. São reais e tudo indica que são de origem extraterrestre. As autoridades se negam a falar sobre o assunto. Pelo menos temos uma coisa de bom, pois jamais qualquer autoridade militar e mesmo cientistas provaram que discos voadores não existem. Recentemente, o capitão Uyrangê Hollanda alegou que o silêncio quase que total das Forças Armadas é devido ao fato de não terem respostas para as três principais perguntas básicas: "Quem são eles? De onde vêm? O que querem?" Sempre as autoridades se calam sobre o que não sabem explicar ou controlar, disse ele.

                        São 54 anos de pesquisas, de coletas de dados e de informações. Milhares de avistamentos, milhares de testemunhas, milhares de fotos, milhares de filmes, milhares de marcas no solo, milhares de radarizações, milhares de efeitos eletromagnéticos, milhares de abduções, milhares de mutilações de animais, milhares de implantes, milhares de contatos sexuais com extraterrestres e provavelmente milhares de experiências genéticas. O que sabemos ? Quase nada. Nesses 54 anos, a Ufologia procurou esclarecer o fenômeno, sem muito sucesso. A sensação que temos é que os extraterrestres estão fazendo do planeta Terra um grande laboratório. Estamos sendo cobaias nas mãos deles ? Parece que sim.

                        O triste de toda essa história não é a de não termos respostas. O triste é que a Ufologia se transformou em uma terra de ninguém. Cada um fala o que quer. Virou uma "Torre de Babel". A cada dia surgem novos aproveitadores da boa fé do público. Hoje, os extraterrestres fazem muito mais sucesso do que Jesus Cristo. Antigamente, nos terreiros de Umbanda, os médiuns incorporavam o preto velho, hoje incorporam os extraterrestres. Muitos tiraram Jesus Cristo do altar e o substituíram pelo disco voador. Acreditam que os extraterrestres vão resolver tudo. Coitados, quando caírem na real talvez já seja tarde demais.

                        O mais triste ainda são os cultos aos discos voadores, normalmente liberados por um guru de araque, o qual afirma estar em contato telepático com seres extraterrestres. Já dizia o saudoso Joseph Allen Hynek sobre tal fato: "como falta sorte a esses visitantes do espaço... todas as vezes, escolhem alguém que não regula bem da bola". Esses falsos gurus prestam um grande desserviço à Ufologia. Eles influenciam enormemente a opinião pública através dos seus atos irracionais. Esses gurus são pessoas solitárias e desequilibradas. São consideradas fanáticas pseudo-religiosas e normalmente possuem um baixo valor de credibilidade, trazendo-nos mensagens dos extraterrestres com um conteúdo singularmente escasso. As mensagens são geralmente endereçadas a toda a humanidade, no sentido de que seja boa, pare de guerrear, viva em paz e fraternidade, elimine as bombas, pare de poluir a atmosfera e outras banalidades válidas. Lamentavelmente, tem muitas pessoas que acreditam.

                        O pior de tudo é quando o guru leva os seus seguidores ao extremo, como recentemente aconteceu, em março de 1997, nos Estados Unidos, na luxuosa mansão nos subúrbios de San Diego. O louco e doente mental Marshall Herff Applewhite, líder da seita Heaven’s Gate (Portões dos Céus) simplesmente fez seus fiéis acreditarem que deveriam se suicidar, para que seus espíritos fossem se encontrar com um fictício disco voador que estaria vindo na cauda do cometa Hale-Bopp. Assim, 21 mulheres e 18 homens, ou melhor, 39 almas estão até agora procurando o tal disco voador. Lamentável.

                        No mundo inteiro e também no Brasil, a Ufologia seguiu duas linhas distintas: a linha científica e a linha mística. As duas linhas são válidas. O que temos que combater é o fanatismo e os aproveitadores da boa fé do público. Muitos estão dizendo que são contatados e que adquiriram poderes paranormais dos extraterrestres. Fazem verdadeiros "shows" com luzes de lanternas e balões de propaganda, normalmente com a ajuda de amigos, afirmando que são discos voadores e cobram caro pelas apresentações. É caso de polícia. Aqui no Brasil temos vários exemplos. É só o povo olhar com um pouco mais de cuidado.

                        Nesse 54o aniversário da Ufologia, talvez algum governo já tenha as respostas que estamos buscando. Recentemente, o colega Rafael Cury, de Curitiba, levantou uma "bandeira" que está sendo aderida por todos os Ufólogos: "Reconhecimento Oficial Já". Entre os dias 7 e 14 de dezembro de 1997, em Brasília, no Parlamundi da LBV (Legião da Boa Vontade), aconteceu o 1o Fórum Mundial de Ufologia, onde estiveram presentes muitos pesquisadores internacionais de vários países e muitos pesquisadores nacionais, oportunidade onde foi redigido um documento que foi enviado à ONU, bem como cada representante levou ao governo do seu país. As Forças Armadas não tem mais como esconder os fatos do público. O pontapé inicial já foi dado pela própria NASA, quando, recentemente, divulgou a notícia que encontraram indícios de vida primitiva extraterrestre em um meteorito encontrado na Antártida. Essa notícia estava escondida desde 1984. O próximo passo, provavelmente, a NASA ou algum outro órgão irá liberar algum sinal de radiofreqüência, captada pelos radiotelescópios confirmando a existência de vida extraterrestre inteligente. Daí, provar a existência dos discos voadores será um passo. Tudo isso indica que irá acontecer nos próximos anos.

                        Estamos ansiosamente aguardando com paciência.

 

 

Claudeir Covo é presidente do INFA e co-editor da Revista UFO

 

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